21 de junho de 2014

LIVRO - CORAÇÃO DE PELÚCIA - LI MENDI


CORAÇÃO DE PELÚCIA - LI MENDI



Fernanda, na adolescência, é deixada no baile de formatura do colégio por Alan, que não a procura nos dias seguintes. Então, a menina se muda para longe e leva no coração aquela paixão que nunca se consumou. Mas, depois de muitos anos, ela volta à sua cidade e descobre que o amor da sua vida, na verdade, sofrera, naquela noite do baile, um acidente de carro que o deixara cego. Agora, há uma nova chance para que os dois se redescubram, motivados por um concurso de dança que irão participar juntos.


NOTA SOBRE O LIVRO:


Bem, falar dos livros a Li Mendi é algo extremamente difícil, pois não há como não soltar SPOILER da história e ao mesmo tempo extremamente interessante e prazeroso. O livro Coração de Pelúcia não é um livro que fala apenas de uma história de amor fofa e de contos de fada. Este livro trata de temas extremamente delicados e muito presentes da vida da gente. O preconceito. Sim, pois uma pessoa com deficiência visual sofre tanto preconceito quanto qualquer outra pessoa. Um deficiente visual não é uma pessoa incapaz, muito pelo contrário, é uma pessoa com índices de superação muito maiores do que qualquer um de nós. , pois infelizmente estas pessoas precisam de adaptação e superação dia após dia. Elas precisam estar com todos os seus demais sentidos altamente aguçados e treinados.

Fernanda e Alan se conheceram quando estavam no colégio e ambos nutriam uma paixão escondida e mal resolvida, pois na noite em que eles iriam juntos ao baile de formatura Alan simplesmente não aparece. Como ninguém sabia que Alan havia convidado Fernanda para ser o seu par, então ela nunca soube o que aconteceu com ele naquela noite até que ela voltou para a cidade. 15 anos! Este foi o tempo que passou. Durante este tempo Alan nunca se esqueceu de Fernanda. Fernanda se envolveu com a pessoa errada e caiu no mundo das drogas. Precisou se internar em uma clinica de reabilitação e após estar curada retornou para a cidade de sua adolescência para refazer sua vida.

Ela não esperava encontrar com Alan justamente no SPA que sua avó lhe recomendou – sabiamente e já prevendo o que iria acontecer – como sócio do lugar e principalmente, como um terapeuta renomado e requisitado. Alan superou um de tantos obstáculos, que é o da independência profissional. Esta superação de Alan veio porque na noite do baile em que ele não apareceu foi um acidente que o impediu de chegar ao seu destino. Neste acidente Alan perdeu completamente a visão.

Um desafio: Nanda desafia Alan a ser seu par em um campeonato de dança e Alan desafia Nanda a correr com ele. Sim, correr! Mais um obstáculo superado por Alan, pois mesmo sendo acometido por uma deficiência visual ele não se entregou e seguiu com sua vida. Nanda precisa vencer este campeonato, pois o dinheiro do prêmio será o recomeço de sua vida.

Mas eles se amam, eles se desejam e eles se precisam, no entanto eles se precisam de uma forma única, se precisam porque um se preocupa com o outro e não porque precisam preencher algum vazio ou alguma satisfação pessoal. Eles se completam e Nanda luta a todo tempo para que Alan tenha sempre certeza de seu amor por ele.

“– Eu não posso facilitar o mundo pra você, posso garantir que vou querer estar em qualquer lugar perto de você. (...)”

“- O meu amor está em mim, então, acaba quando eu morro.”
“- É pequeno. O meu amor está na minha alma, vai comigo para sempre”

Outro ponto que faz a gente refletir bastante é quando a autora cita: “Almas machucadas como a de Alan são dificilmente amadas, porque ele não se sentia amado, nem se deixava amara, protegendo-se.”

Sim, eu concordo e isso é tão comum, principalmente na situação de Alan. Imagine como uma pessoa nestas condições deve se sentir? Quando adolescente ele podia ter a mulher que queria e da forma como queria e hoje, passada a empolgação de algumas mulheres com as quais se envolveu, ele se via novamente sozinho e por este motivo, nunca se envolveu de verdade com ninguém.

Nanda é a fortaleza de Alan, mas não é fácil enfrentar o preconceito das pessoas, principalmente de sua própria família, que por proteção automática julgavam que a vida que ela levaria não seria fácil, no entanto, não era isso que preocupava Nanda. Ela só queria ser feliz ao lado do homem que Alan havia se transformado. Esse amor deles não é um amor que precisa ser resolvido, é um amor que precisa ser vivido. Poderia ser apenas um caso de amor de adolescente, mas não, é algo maior, é algo que ultrapassa os limites do que podemos ver a olho nu.

“E hoje você prova a ele que é diferente de todo mundo por estar ao seu lado. Isso porque, naqueles anos de colégio, ele te reconheceu de outros tempos em que já estiveram juntos.”

Fica claro aqui que a autora quis passar para os leitores que este amor da Nanda e do Alan é um amor que vem de outras vidas, é um amor que não se acaba com dificuldades, é um amor que alimentará sempre a alma de cada um deles tornando-os cada vez mais fortes e assim, juntos, serão invencíveis.

Agora e quando a própria irmã tenta boicotar este amor?
Sim, é assim que a irmã de Alan se comporta. Ela imagina que Nanda será como tantas outras mulheres que já passaram pela vida do irmão e que quando se cansam simplesmente vão embora deixando um Alan vazio para trás. É até compreensível esta preocupação, pois ela vê o irmão como uma pessoa frágil, quebrável e indefesa. Ela não enxerga Nanda com bons olhos. Alias, ela vê Nanda apenas com o seu olhar saudável e não com o olhar de amor que Alan enxerga sua amada.

Este livro trás muitos ensinamentos aos seus leitores. Ele nos trás mensagens que passam despercebidas a nós mesmos.

“- Quando você pensa em desejos maus para alguém, você direciona forças e guerreiros do mal para ela. Não pode ver, mas acontece.”

E isso é tão comum na nossa vida. Eu mesma recebi essa mensagem como um verdadeiro tapa com luva de pelica. Quantas vezes no nosso dia-a-dia nos pegamos agindo e falando por impulso, agredindo verbalmente alguém que nos tire do sério, alguém que simplesmente não gostamos e/ou que não gostam da gente?

No caso de Ema, a irmã de Alan, ela precisará enxergar Nanda com os olhos do irmão. Ela terá que aprender a diferenciar Nanda das outras e isso não será fácil para ela, pois dentro dela há um medo consumidor de todas as suas forças. De sua fé.

E quando você deseja o bem a outra pessoa, mas o mesmo não acontece de volta?

“- Reze e deseje o bem. Fale o bem, faça o bem, pense o bem. Isso faz uma bolha invisível de proteção ao seu redor. Mas quando você vacila e permite que sua boca diga o mal e seu coração se amarga de raiva e rancor, a bolha estoura e você está exposta.”

Falando ainda sobre o amor de Nanda por Alan, em um caso real, poderíamos pensar: Ah, mas ela está amando ele porque ainda está presa ao sentimento adolescente. Presa ao fato de que a história deles ficou inacabada no passado, mas a Nanda responde:

“Porque eu tenho um motivo para não amá-lo racionalmente e, mesmo assim, meu coração não para de emanar mais amor. Eu já me perguntei se estava querendo só concluir alguma obsessão adolescente... Já me perguntei se eu queria uma aventura. Já me perguntei até se eu tinha pena dele. Já me perguntei se eu estava querendo ajudar alguém porque pessoas me ajudaram quando eu precisei... E a resposta não foi nenhuma dessas. A resposta é que, quando ele me abraça, sinto que está tudo completo e sou feliz. É isso, não tem explicação. O amor é. O amor não é “por causa de.”.”

Como alguns deficientes visuais, Alan possui seu cão-guia “Majestade”. Maj é uma cachorra Labrador Retriever filhote. Como a autora mesma cita no livro, “Maj e outros animais são pouquíssimos no Brasil. O treinamento é bem caro, pode chegar a até trinta mil reais, porque é necessário investir na ninhada, selecioná-la, medicar, treinar, dar banho, alimentar e chegar ao treinamento final com o seu novo dono”.



Assim fica fácil e claro de entender porque nem todos os deficientes visuais podem se dar ao luxo de utilizar deste recurso de grande valia. Alan é um personagem que vem de uma família que tem recursos financeiros, mas quantas pessoas estão na mesma classe social que ele?

Agora na reta final da minha nota, quero utilizar outro trecho de grande sabedoria que foi empregado pela autora, que diz que “a inveja tem a capacidade de destruir quando vacilamos na proteção das pessoas que amamos.”

E assim será a vida de Nanda e Alan. Será uma eterna luta para que estejam sempre se protegendo do mundo, das maldades, da inveja e do preconceito.

Ah, já ia me esquecendo da dança. Sim, eu não vou contar nada sobre a dança e se ela aconteceu, pois aí perderia toda a graça de ler o livro. Também não vou contar o que aconteceu com a Ema, a irmã de Alan e mais nada que revele a história.

A única coisa que eu vou dizer agora é que este livro é superação, determinação e amor verdadeiro do inicio ao fim. Quando se ama de verdade lutar é algo que jamais deixará de existir.

CONTATOS COM A AUTORA:

Twitter: @limendi
Instagram: @autoralimendi


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