29 de julho de 2015

LIVRO - DOM CASMURRO - MACHADO DE ASSIS


DOM CASMURRO - MACHADO DE ASSIS 

Machado de Assis (1839-1908), escrevendo Dom Casmurro, produziu um dos maiores livros da literatura universal. Mas criando Capitu, a espantosa menina de "olhos oblíquos e dissimulados", de "olhos de ressaca", Machado nos legou um incrível mistério, um mistério até hoje indecifrado. Há quase cem anos os estudiosos e especialistas o esmiuçam, o analisam sob todos os aspectos. Em vão. Embora o autor se tenha dado ao trabalho de distribuir pelo caminho todas as pistas para quem quisesse decifrar o enigma, ninguém ainda o desvendou. A alma de Capitu é, na verdade, um labirinto sem saída, um labirinto que Machado também já explorara em personagens como Virgília (Memórias Póstumas de Brás Cubas) e Sofia (Quincas Borba), personagens construídas a partir da ambiguidade psicológica, como Jorge Luis Borges gostaria de ter inventado. 


NOTA SOBRE O LIVRO: 

Uau... falar sobre um livro de Machado de Assis é uma responsabilidade muito grande, então, desta vez optei por fazer uma pesquisa sobre tudo o que é dito sobre este livro ao invés de dar apenas a minha opinião. A primeira vez que eu li este livro, eu estava no colegial ainda (ensino médio) e confesso que odiei. Odiei o livro porque tinha que fazer uma prova sobre ele e adivinhem! Tomei uma bela bomba na prova... A segunda vez que li o livro foi durante a faculdade também, mas ai até que não me dei tão mal... eu acho! Diga-se de passagem, meu professor de Literatura Brasileira é até hoje um apaixonado por Machado de Assis. Esta capa que eu escolhi para ilustrar a apresentação é a mesma do livro que eu tenho, - que é uma 5ª Edição/1976 -, mas a obra possui inúmeras outras capas. Esse livro que eu tenho pertenceu aos meus tios e deles passou pra mim e de mim. Das minhas mãos só sairá depois que eu morrer e quem herdar meus livros terá que cuidar muito bem deles, senão eu volto para puxar os pés... 

Machado de Assis escreveu Dom Casmurro no ano de 1899 e 126 anos depois, esse livro continua sendo um dos mais indicados nos vestibulares e em aulas de literatura. Além disso, ela completa a "trinca literária" formada por "Memórias Póstumas de Brás Cubas" e "Quincas Borba", também do mesmo autor. Ainda segundo o site "InfoEscola", o livro só foi publicado pela Livraria Garnier em 1890 e atualmente faz parte de um domínio público e por isso acaba sendo encontrado até em pdf, mas nada como ter o livro em mãos. 

Dom Casmurro é praticamente uma auto-biografia de Bento Santiago, onde ele conta a história de sua vida. Creio que se fosse nos dias atuais, Machado de Assis seria bombardeado pelos leitores para que escrevesse a versão de Capitu apenas para descobrirmos se Capitu traiu ou não o Bentinho. Aliás, a recordação do passado marcou seu sofrimento pessoal e possui uma visão amarga e dolorida de quem foi machucado e traído pela vida até o ponto do isolamento. Até no título Machado foi "artista", pois "Dom" seria algo como um título nobre e Casmurro está relacionado a um tipo de homem calado, introspectivo, que escrevia por falta do que fazer. 

Bento era filho de D. Glória, uma mulher bondosa e viviam em uma casa na Rua Matacavalos junto com o tio Cosme, que havia enviuvado, a prima Justina também viúva e um agregado, José Dias. O pai de Bentinho já havia morrido. Dona Glória, que havia perdido o primeiro filho, fez uma promessa a Deus, que se Este lhe concedesse um filho vivo esse iria para o seminário quando fosse o tempo e se tornaria padre. Bento nasceu e quando ele tinha seus quinze anos, ela foi lembrada da promessa que fizera e que já era tempo de cumpri-la. Sabendo de seu destino, Bentinho recorreu a Capitu, já que os dois eram amigos de infância e desta amizade surgiu o amor. Sabendo da promessa de D. Glória, restou a ambos lutar contra tal separação e para isso, contavam com o interferência de José Dias, mas não houve jeito e Bentinho partiu para o seminário. Foi lá que ele fez amizade com Escobar. Todos os sábados Bentinho voltava para visitar a família e logo Escobar passou a frequentar a casa do amigo, sendo claro, aprovado por todos e também, fazendo amizade com Capitu.

Bentinho era muito ciumento e em um dado momento teve uma briga com Capitu por deduzir que ela o traia, com um desconhecido qualquer, apenas por um olhar. Dessa briga veio a intimação de Capitu ao dizer que por mais uma desconfiança dessas o juramento de se casarem seria desfeito. Dentre tantas idas e vindas, os planos de D. Gloria mudaram e aos 22 anos, Bentinho já era Bacharel em Direito e pode em fim se casar com Capitu. Escobar também se casou, com Sancha, uma amiga de Capitu e não era de se estranhar que estivessem sempre um casal na casa do outro. Da relação de Escobar e Sancha veio uma menina, mas para Bentinho e Capitu, o único filho, Ezequiel, só veio algum tempo depois. Então o destino cruel levou Escobar e já no velório do amigo, Bentinho notou uma tristeza diferente em sua esposa Capitu, mesmo essa não tendo derramado uma lágrima. Sancha e a filha partiram do Rio de Janeiro. 

Ezequiel foi crescendo e nele se via muitos trejeitos de Escobar, como o jeito de rir, de andar, de comer e conversar. O ciúmes e a dúvida quanto a paternidade de Ezequiel acabou colocando um fim no casamento de Bentinho e Capitu. Bento passou a se manter longe e recluso, o filho foi para um colégio onde só regressava aos sábados, no entanto, em cada regresso Bentinho sempre dava um jeito de escapar do filho, afinal, vê-lo era como uma confirmação da suposta traição de sua amada Capitu.

Por fim todos foram para a Europa, entretanto, algum tempo depois, apenas Bentinho regressou, vivendo só. Em algumas vezes ele viajava para a Europa apenas para manter as aparências, mas quando estava por lá, nunca procurava pela mulher e pelo filho. Tudo isso era apenas uma forma de ludibriar as perguntas das pessoas quanto à sua vida. Capitu morreu na Europa e mesmo com toda essa dor e mágoa, incerteza sobre o filho, Bentinho nunca deixou de fazer o papel de "bom pai" e então, acabou lhe financiando uma viagem com fins arqueológicos, que era o que o filho gostava. Ezequiel também acabou morrendo de febre tifoide em Jerusalém. 

Esta história pode ter diversas interpretações, diversas analises e acho que nunca ninguém chegará a uma resposta correta, afinal, todas as respostas podem estar corretas, ou não!? No meu ponto de vista Capitu não traiu Bentinho. Eu tenho para mim que tudo não passou de um ciúmes doentio dele e, quanto ao fato de Ezequiel parecer demais com Escobar (vejam: no jeito de rir, comer, andar e não na aparência física), eu acredito que seja em função de uma mania que o garoto tinha, de imitar as pessoas e que nunca ninguém conseguiu corrigir. De uma certa forma, tudo leva a crer que houve a traição, mas eu penso que isso tenha sido mais uma indução muito bem elaborada por Machado justamente para causar essa dúvida. 

Qual a sua opinião sobre essa história? Você já leu Dom Casmurro?

Bem, esta é uma história que certamente vale a pena ler e reler várias vezes e eu tenho certeza, que a cada leitura, se observará novos fatos e perspectivas antes não notadas.

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