17 de janeiro de 2018

SÉRIE - THE TUDORS - TEMPORADA COMPLETA (DE 1 A 4)


A série The Tudors é composta de 4 temporadas e ela conta a história da família Tudor da Inglaterra. Esta é a SEXTA vez que eu assisto a série toda e cada vez que assisto, aprendo um pouco mais, me apaixono ainda mais e garanto que vou assistir de novo. Para compor todas as explicações abaixo, além de rever toda série, contei também com a ajuda essencial da Wikipédia, de forma a deixar tudo o mais claro e nítido para quem se interessar. A história inicia sua narrativa a partir de 1519 e esta publicação contém spoiler do início ao fim!


Henrique VIII, (28 de junho de 1491 – 28 de janeiro de 1547). Ele também foi Lorde e depois Rei da Irlanda. Henrique VIII foi o segundo monarca inglês da Casa de Tudor, sucedendo a seu pai, Henrique VII. Viril e sedutor rei da Inglaterra (de 1509 até sua morte) parecia ter tudo, no entanto, ele era incomodado por tumultos religiosos no seu próprio reino, bem como lutas políticas e constantes mudanças nas fidelidades com outros países, dentre eles, França e Espanha. O que mais pesava em sua mente era o seu fracasso, até então, de não produzir um herdeiro masculino com a sua esposa, a rainha Catarina de Aragão. Dos filhos que teve com Henrique VIII, que ou morriam ao nascer ou morriam na infância, a única criança sobrevivente foi a Princesa Mary. Henrique VIII preferiu, em função dos fatos, acreditar que Catarina de Aragão mentiu quanto ao juramento feito e que, por consequência, o seu casamento com ela foi incestuoso e ilegal. A Rainha sempre cumpriu o seu dever admiravelmente, além de ser amada pelo povo e por membros da corte inglesa. O Rei era um tirano cheio de vontades e sem palavra. Seu humor sempre inconstante e embora se julgasse o melhor, sempre acabava sendo enganado e manipulado por pessoas interesseiras e a Rainha foi a primeira a sofrer as consequências de sua tirania.

Enquanto ficava cada vez mais impaciente com a incapacidade de Catarina de Aragão gerar o herdeiro homem que tanto desejava (muito embora ele não cumprisse mais seu papel de marido), Henrique VIII acabou tendo um "caso" com Elizabeth Blount, com quem teve um filho bastardo, Henry Fitzroy, que faleceu ainda criança. (Na história real este filho faleceu aos 17 anos de idade). Posteriormente ele teve um caso com Maria Bolena, incitado obviamente por Thomas Bolena, mas o encanto de Henrique VIII pela moça (também de fama nada gloriosa) logo se perdeu, assim como com tantas outras mulheres. Como nova opção, Thomas Bolena traçou um plano juntamente com Thomas Howard, o cunhado, para que Ana Bolena, fosse a próxima na cama de Henrique VIII. Ana Bolena resistiu as tentativas de sedução e se recusou a se tornar uma amante como a irmã, pregando que havia guardado sua virgindade para seu marido. Claro que toda essa resistência não passou de um jogo bem articulado pela mulher, afinal, de virgem ela não tinha nada, principalmente pelos rumores de seu caso com Thomas Wyatt.

Foi nesse contexto, dentro da primeira temporada, que Henrique VIII considerou divorciar-se de Catarina de Aragão de qualquer jeito e se casar Ana Bolena. Henrique VIII enviou seu secretário até o Papa Clemente VII, para que este apelasse em seu nome na esperança de ter seu casamento com Catarina de Aragão anulado, porém, a missão falhou. Quando se tornou claro que o Papa Clemente VII não aprovaria o divórcio de Henrique VIII e Catarina de Aragão e, posteriormente, o casamento deste com Ana Bolena, iniciou-se a ruptura religiosa entre a Inglaterra e a Igreja Católica Romana, resultando na criação da Igreja Anglicana. O Cardeal Wolsey tinha grandes interesses em "agradar" o rei e este foi um grande conspirador, um grande interesseiro, afinal, ele almejava ser o próximo Papa. A primeira temporada girou em torno deste conflito entre o desejo do rei de desposar Catarina de Aragão e se casar com Ana Bolena. Inclusive, Ana Bolena era vista, até mesmo pelo Papa, como "a grande prostituta".

Na segunda temporada Henrique VIII e Ana Bolena se casaram e ela logo engravidou. Catarina de Aragão foi despejada de seus títulos de rainha, tornando-se "princesa viúva" como esposa de Artur. Ana Bolena foi coroada rainha consorte. Houve um período de consolidação após o casamento na forma de uma série de estatutos do Parlamento da Reforma que procuravam encontrar soluções para convencer o povo da legitimidade deste casamento, onde expunham e lidavam com opositores.

Pausa para um comentário sarcástico: Os romances do rei são altamente nepotistas, afinal, todos as pessoas próximas de suas mulheres recebiam títulos e "cargos" nobres. Um verdadeiro cabide de emprego e formação de um bando de puxa saco.

O casamento com Ana Bolena, a Marquesa de Pembroke, assim intitulada pelo rei, chegou ao ponto da insatisfação. Primeiro porque Henrique VIII nunca foi um homem fiel e mesmo declarando seu amor por Ana Bolena, mantinha seus casos extra-conjugais. Segundo pela insatisfação de Henrique VIII porque Ana Bolena não deu à luz a um menino e sim, a Elizabeth. A segunda gravidez de Ana Bolena foi marcada por um aborto espontâneo. Todo encanto que Ana Bolena despertou em Henrique VIII no início já não tinha o mesmo efeito. Apesar de a família Bolena ainda possuir posições importantes no Conselho Privado, Ana Bolena adquiriu muitos inimigos e dentre eles estava Charles Brandon, 1.º Duque de Suffolk e amigo pessoal do rei. Era geral a falta de reconhecimento de Ana Bolena como rainha da Inglaterra e a luta do rei por este reconhecimento foi árduo, porém, mal sucedido.

Em maio de 1536 chegou ao rei Henrique VIII a carta de despedida de Catarina de Aragão e o anúncio de que ela havia morrido. Enquanto Ana Bolena sorria com a notícia e vibrava por finalmente "ser a rainha", Eustace Chapuys, embaixador da Espanha na corte inglesa, levantava a questão de uma autópsia, pois desconfiava da morte de Catarina de Aragão. Ana Bolena estava grávida novamente e sabia das consequências que teria que enfrentar se não conseguisse dar à luz a um menino, mas um novo aborto foi inevitável logo após flagrar o marido aos beijos com Jane Seymour. A queda de Ana Bolena ocorreu pouco depois de ela ter se recuperado deste seu último aborto. Henrique VIII deu ouvidos aos rumores, de que ele fora seduzido por bruxaria e, concluiu, que esta era a razão dele não ter tido um filho homem com a esposa, como era seu desejo absoluto. Sua decepção se tornou maior ainda quando o médico da época lhe disse que o bebê, de cerca de quatro meses que fora abortado, era um menino e que apresentava deformidades. Isso aumentou ainda mais a crença de Henrique VIII de que para ter um herdeiro ele precisava casar-se novamente e que Ana Bolena já não lhe servia mais. Ele entendeu tais consequências como "castigo".

A candidata ele já tinha, que era Jane Seymour, mas quem deu a cartada que destruiria Ana Bolena foi ninguém mais apropriado do que Charles Brandon. Na hora certa ele apresentou ao rei os rumores de que a rainha recebia homens em seus aposentos durante a noite e que flertava com eles. Iniciou-se a queda dos Bolenas.

O início da terceira temporada, destaca o endurecimento da perseguição religiosa, denominada "Peregrinação da Graça". O Duque de Suffolk, meu adorado e idolatrado Charles Brandon, ficou mais evidente, uma vez que ele foi designado pelo rei como o "caçador dos rebeldes". Ele era contra aquela "chacina" que o rei ordenou, ainda mais porque ele sabia que por trás de tudo aquilo havia um homem inescrupuloso, chamado Thomas Cromwell, que instigava e incendiava o desejo do rei. O Rei casou-se com Jane Seymour e poucos meses depois ela deu à luz a um filho, o Príncipe Edward. O parto foi difícil e ela morreu dias depois. A euforia que acompanhou o nascimento de Edward se transformou em luto. Seu lado cruel e "mimado" continuava sendo forte e suas crises políticas e religiosas também. Isso desagradava imensamente o amigo Charles Brandon, que mesmo não concordando com aquilo tudo, sabia que precisava cumprir com suas responsabilidades e atender aos desejos de seu rei.

Apesar da separação com a igreja Católica, todos os ritos e tradições que o rei e sua corte seguiam,  conforme sua vontade, claro, eram exatamente iguais aos da Igreja Católica, com o diferencial de que com a criação da Igreja Anglicana, a igreja da Inglaterra como o rei dizia, ele era o poder supremo. E por que essa semelhança? Simplesmente porque o rei nunca deixou de ser católico, mas algo que ele não aceitava e nunca aceitaria, era que ou o Papa ou Lutero fossem superiores a ele. Foi nesta fase que a ferida que o rei tinha na coxa começou a infernizar sua vida, pois com isso, ele já não conseguia mais andar direito, além do mau cheiro, que ninguém, claro, tinha coragem de comentar. Além disso, a juventude também se foi e agora também contava com outro fator, que era o ganho de peso e todos os ônus do tempo em sua rotina. Ele estava viúvo e Thomas Cromwell insistia que ele tinha que se casar de novo. Medidas foram tomadas para encontrar uma nova esposa para o rei, que, pelos interesses de Thomas Cromwell e da corte, foram focadas no continente europeu. 

Henrique VIII desejava se casar novamente para garantir a sucessão do trono e cedeu ao jogo de Thomas Cromwell, se casando com Ana de Cleves, irmã do Duque de Cleves. Logo o rei passou a querer anular o casamento, pois ele não sentia o menor tesão (isso mesmo) pela atual rainha. Para "aliviar o humor" do rei, o amigo Charles Brandon sugere a Sir Francys Bryan que providencie alguma distração ao rei, então, como não poderia deixar de ser, Francys encontra Catherine Howard para ser a distração do rei.

Os protegidos de Thomas Cromwell e religiosos reformistas foram queimados como hereges, enquanto este caiu em desgraça. Com uma ajudinha de Charles Brandon e Edward Seymourele foi acusado de traição, além da culpa pelo fracasso no casamento com Ana de Cleves. 

Inicia-se a quarta e última temporada da série e Henrique VIII se casou com a jovem Catherine Howard, para desagrado de muitos e dentre eles Charles Brandon, Lady Mary e Edward SeymourO rei ficou absolutamente encantado com sua nova rainha, dando-lhe as terras de Thomas Cromwell e várias jóias. O rei parecia se divertir com a "inocência" da esposa. Era como se isso fosse uma massagem em seu ego ou algum tipo de afrodisíaco. Ouso a dizer que uma auto-afirmação de sua virilidade. O que não o tornava menos ridículo e presunçoso. Os anos passaram e o rei continuou com o "rei na barriga", sendo muitas vezes até motivo de piada para os reis dos países vizinhos.  

Paralelamente ao casamento com Catherine Howard, temos a aparição de Ana de Cleves junto a corte e esta se mostra uma excelente e gentil dama. Creio que em algum momento ele tenha se arrependido de não ter levado o casamento com Ana de Cleves adiante. Catherine Howard tomou como amante Thomas Culpepper, um dos guardas da corte e que também era um verdadeiro canalha. O filho do Duque de Norfolk, conhecido como Conde de Surrey voltou para a corte e demonstrava claramente suas objeções quanto a Edward Seymour e os dois viviam em um pé de guerra disfarçado. 

Concomitantemente, Lady Rochford, a viúva de George Bolena e dama de companhia tornou-se cúmplice da rainha Catherine Howard em seus encontros clandestinos com Thomas CulpepperHenrique VIII recusou-se a acreditar nas evidências, mas quando não houve mais saída, ele mandou colocá-la sob prisão na Abadia de Middlesex. Catherine Howard perdeu o título de rainha e foi repudiada enquanto que Thomas Culpepper e Francis Dereham foram executados. Catherine Howard foi julgada por adultério e executada na Torre de Londres. Lady Rochford também recebeu sua sentença e mesmo tendo enlouquecido na prisão. 


Catherine Parr surge no capítulo 6 da quarta temporada como uma mulher zelosa e prestativa para com um marido doente, no entanto, ela aguarda apenas que o marido morra para que finalmente possa se casar com seu amante.

Henrique VIII moveu-se para eliminar a potencial ameaça da Escócia sob o jovem Jaime V. Isso continuaria a reforma na Escócia, que ainda era católica. A Escócia foi derrotada na Batalha de Solway Moss e Jaime V morreu logo depois. Visando interesses, o Rei Henrique sugere o casamento entre seu filho Edward e a a Princesa Maria da Escócia, então herdeira do trono.

O primeiro contato de Catherine Parr com o rei foi durante as festas de Natal, quando sua intenção era se apresentar ao rei e solicitar que este retirasse a suspeita de traição para com seu marido, o Sr. Latimer. Quem intermediou este contato foi o próprio amante de Catherine, Thomas Seymour. Henrique tinha conhecimento sobre a doença de Latimer e percebeu o interesse de Thomas em Catherine, no entanto, ele não deixou de lhe fazer a corte. Mesmo ela ainda sendo casada, ele afastou Thomas para bem longe  e com o falecimento de Latimer, o rei pediu a mão de Catherine em casamento.

Novamente a Inglaterra aliou-se à Espanha contra a França. A oferta de Carlos V, o Imperador da Espanha para com Henrique VIII foi muito interessante e encheu os olhos do rei de expectativas e planos. A caça aos hereges continuava e desta vez, quem estava na mira era Edward Seymour. O bispo que comandou aquela inspeção sabia quem exatamente ele queria. O rei estava mais brando quanto as imposições, mas vez ou outra algum interesseiro o fazia lembrar de que "o rei era o chefe da igreja" e as crueldades eram retomadas. 


Apesar do sucesso na Escócia, Henrique VIII hesitou em atacar a França, irritando Carlos V da Espanha. Ele finalmente seguiu em frente em junho de 1544 com um ataque em dois frontes. 

Durante o ataque da Inglaterra à muralha da França, soldados franceses escaparam pelo portão sul e entraram em luta com as forças inglesas. Nesta luta, Charles Brandon feriu um dos soldados franceses e eis que dentre os demais soldados estava uma mulher, a filha do soldado ferido, para espanto geral de todos, mas principalmente de Charles Brandon. Ela foi levada para o acampamento inglês onde foi mantida como prisioneira. Seu nome era Brigitte Rousselot, uma morena francesa que balançou o coração entristecido de Charles Brandon

Na ausência do rei, enquanto ele estava na guerra, quem ficou em seu lugar, como regente, foi a sua atual esposa, a rainha Catherine Parr (protestante) e o Bispo Gardner, um sujeito inescrupuloso, falso e ardiloso estava aflito para conseguir colocar a rainha em maus lençóis com o rei. Naquela época, todos que pensavam diferentemente do que cada um acreditava era considerado heresia. Os católicos consideravam os protestantes e os evangélicos como hereges bem como o contrário. Desde que o mundo é mundo sempre existiu e sempre vai existir as discussões políticas e religiosas. 

Enquanto isso, mesmo à frente da guerra, o rei continuava sofrendo com a úlcera em sua coxa e uma epidemia se alastrou no acampamento inglês. Alguns soldados morreram, reduzindo a tropa inglesa em mais de dois mil homens, mas mesmo assim eles destruiram a muralha da França permitindo assim que a Inglaterra reconquistasse as terras da Bolonha. Era hora de voltar para casa!

Na madrugada que antecedeu a vitória da Inglaterra, Brigitte Rousselot e Charles Brandon se entregaram aos sentimentos descobertos. Ele ainda era casado com Catherine, embora a relação deles já não fosse mais de marido e mulher há muitos anos. Ele tentou de todas as formas, mas a mulher o repelia e com isso, abriu espaço para que ele deixasse seu coração renascer.
Brigitte Rousselot ficou ao lado de Charles Brandon até o último dia de sua vida e se amaram verdadeiramente. 

Sem dinheiro, a Inglaterra aceitou um novo tratado com a França que garantiu a posse de Bolonha por oito anos, quando então teria que devolver Bolonha para a França pelo preço de dois milhões de coroas. A Inglaterra precisava do dinheiro, pois estava novamente falida. 

Henrique VIII morreu em 28 de janeiro de 1547, seu único filho legítimo tornou-se o rei Eduardo VI aos nove anos, mas morreu seis anos depois. Houve uma tentativa de evitar que a filha mais velha do rei, Lady Mary, se tornasse rainha devido às suas crenças católicas, mas ela foi coroada em 1553. Seu reino foi curto e turbulento. Ela queimou muitos mártires protestantes e ficou conhecida como "Maria, a sanguinária". Sua meia irmã, Lady Elizabeth, a sucedeu em 1558 e governou a Inglaterra por quarenta e quatro anos. Seu reinado foi chamado de "a era dourada". Com Henrique VIII e Elizabeth, a dinastia Tudor teve os dois principais monarcas da história da Inglaterra com mais tempo de liderança. 

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